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Sobre a sabedoria do movimento espontâneo

Hoje mais cedo estava me lembrando de um momento específico no parto da Ananda. Um momento quando a espontaneidade guiou e abriu caminho. E junto com essa lembrança, veio a vontade de partilhar a presente reflexão.


Tive um trabalho de parto longo, foram 29 horas. Ananda nasceu comigo agachada no chão. Foram muitos momentos intensos, senti muita dor, cansaço. Me lembro também de sentimentos e momentos de impotência e passividade, de não saber o que fazer... Se eu fosse hoje acompanhar alguém que está prestes a parir, eu logo penso na seguinte contribuição: Ajudar essa mulher a se escutar, a perceber os pedidos do corpo dela, os seus impulsos mais instintivos... Eu acho que eu não tinha esse recurso tão disponível na época do meu parto, sendo bem sincera. E senti falta de alguém me ensinando, ou me lembrando de ir pra dentro de mim. Olhando pra trás, eu diria que eu estava um tanto desconectada durante o meu parto. Talvez por isso, tenha sido tão longo e difícil. O ambiente e o contexto do hospital, apesar de estar numa sala de parto humanizado, não era tão favorável assim... No fim das contas, eu consegui parir. Ananda nasceu bem e sem complicações. Eu nasci também, porque aquela experiência deixou um registro nas minhas células de uma grande vitória... Eu faria tudo outra vez.


O que eu quero partilhar com essa foto e esse texto, é sobre a importância de estarmos conectados com o nosso corpo, com os impulsos, os sentimentos, os movimentos espontâneos... Lembro claramente do momento em que eu me agachei sem pensar em nada, só agachei, a médica percebeu e disse: “Isso, fica aí! Segue...” E a Ananda conseguiu passar naquela posição, depois de mais algumas contrações e movimentos. Eu me lembro bem desse momento e da reação da médica... me marcou e até hoje vem em meus pensamentos.

Na minha experiência de parto e também no meu trabalho como psicoterapeuta, aprendo a valorizar cada vez mais o movimento espontâneo. Existe uma sabedoria dentro de nós, as células sabem como se regenerar. Nosso corpo sabe o que precisa fazer para se reestabelecer. Se dermos atenção a isso, dermos espaço e valor ao movimento natural do corpo vamos perceber que existe uma força em direção ao equilíbrio, à harmonia.


Agora, não é de um dia para o outro que conseguimos aguçar essa escuta interna. Existem sinapses no cérebro, existe uma trilha “na mata” que leva a essa experiência. E é necessário praticar. Quanto mais fazemos, mais fácil e natural se torna perceber o que se passa dentro de nós.

E você pode (re)começar a fazer isso agora, assim que termina de ler esse texto. Pode fechar seus olhos e perceber as sensações do seu corpo... Perceba se existe alguma dor, alguma tensão. Sua roupa está de fato confortável? Sua postura está agradável? Perceba... Sinta... Como está sua respiração? A cada vez que você paramos tudo, deixamos de lado nossos pensamentos e nos conectamos com o que estamos sentindo, fortalecemos as sinapses da auto-percepção. Isso significa o reforço da nossa capacidade de estar presente, de escutar a voz interna. Existe uma sabedoria que emana de uma parte muito valiosa do nosso ser. Alguns chamam essa parte de Eu Superior, outros de Centelha Divina, de verdadeiro Self... É em síntese, um caminho de conexão com o nosso eu mais profundo. Um eu que está conectado com um SIM pra vida.

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